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terça-feira, 20 de março de 2007
Mais um pontapé
Hoje tivemos uma discussão interessante na disciplina eletiva (não no seminário de pesquisa), sobre o conceito de incomensurabilidade. Vanessa, Vera, Priscila, não querem fazer uma provocação pro resto do pessoal pra gente fazer a bola rolar?
4 comentários:
Anônimo
disse...
Hi Guys, eu estava pensando se a gente (todo mundo) poderia fazer aguma coisa sobre o conceito/termo/tema de incomensurabilidade. Acredito que é um conceito importante e muito frequente nos nossos trabalhos, especialmente quando se faz alguma relação da visão médica com à dos outsiders(pacientes) e penso que podemos talvez formular alguma definição interessante, considerando particularmente as diferenças dos entendimentos do termo para Kuhn, Feyerabend e Hacking. Isto foi colocado no último seminário de terça e esta idéia esta "haunting me", assim como todas as outras, é claro! Espero as opiniões sobre o assunto. Bjs, Vanessa.
Oi gente, hoje eu gostaria de assinalar duas coisas em relação às discussões que tivemos na orientação do kenneth da segunda-feira. Primeiro a explanação muito interessante e rica que a Carla fez da metodologia que ela utilizou para realizar a sua pesquisa de doutorado. Ela comentou que optou pela observação participante, onde descreve cinco etapas (anotadas por mim) de entrada no campo que sintetizam o seu enquadramento em uma categoria semelhante ao dos médicos em atendimento e em outros momentos os múltiplos possíveis posicionamentos ocupados por ela, ora pesquisadora, ora psicóloga, ora ocupando um lugar de pouco sentido. Um comentário do Kenneth, foi que esta atribuição de posicionamento da Carla por parte dos médicos já é em si, uma boa forma de entender o estilo de pensamento (Fleck, 1979) destes atores no contexto e nas relações estabelecidas com a Carla. Por fim a Carla fez um upgrade de psicóloga para: Médica da psicologia especialista em patologias funcionais. O segundo comentário interessantíssimo da segunda foi do Cesar, que estava dando uma prévia da apresentação que fará napróxima segunda. Ele encontrou em sua pesquisa de campo uma dicotomia entre saber prático e saber teórico entre os médicos estudados. A importância da discussão enfocou a possível incomensurabilidade entre estes dois saberes na prática médica. Onde o saber teórico é vistop como legítimo do discurso enquanto o saber prático, embora seja observado como de fato em acontecimento, não é refletido em conjunto com o saber teórico e visto como uma saber menor ou um não saber. Ainda se colocou como importante a necessidade de se construir instrumentos e estratágias para legitimar, sistematizar, construir instrumentos de análise e competências interpretativas(reflexividades)para este saber prático, no sentido de se tornar um saber visto como coletivo e de possibilidade de ensino. Kenneth enfatizou a questão da incomensurabilidade do que o Cesar esteve observando, do trabalho destes médicos, que coloca em paralelo saber teórico de saber prático.
Gostaria, e ainda de uma forma muito tímida, seguir a discussão sobre o conceito de incomensurabilidade como foi proposto por Vanessa. Há diferenças de entendimento entre autores e até mesmo de como um autor entende o que o outro entende desse conceito. Isso, deixa a mim, particularmente, menos constrangida quando tenho as minhas dúvidas e as minhas grandes lacunas de conhecimento. Assim, segundo Hacking, num entendimento, parece, equivocado, a incomensurabilidade, pela ótica de Kuhn estaria mais fortemente ligada à questão de tradução do que de interpretação.Para Hacking, a incomensurabilidade, além de estar mais relacionada com a questão da interpretação, teria um sentido, também, e, mais materialista, tendo, portanto, relação com os instrumentos e suas medidas, e, não somente com a mudança de significados e outras noções semânticas. Tenho adorado conhecer as convergências e divergências de pensamento desses autores.
Hacking (1992) discute, de forma interessante, o conceito de incomensurabilidade relacionado-o com o de revolução científica, quando analisa a questão da tendência de estabilidade das ciências laboratoriais. Para esse autor, diversas teorias conviveriam ao mesmo tempo, sem haver desalojamento de uma teoria antiga, que permaneceria verdadeira a partir dos dados disponíveis em seus domínios. Ou seja, haveria teorias diferentes que produzem fenômenos diferentes. Assim, embora não haja uma teoria com o cunho de verdade absoluta (olha o medo do relativismo que nos persegue!)isso não significaria uma ausência de verdade. Há teorias diferentes com possibilidades de serem todas verdadeiras, pois produziram a melhor verdade para os fenômenos produzidos ou provocados. Mas essa discussão continua ...
Vamos continuar na discussão! Ainda tenho muitas dúvidas e lacunas. No próximo comentário colocarei essas questões de uma forma mais prática, relacionando-as com o "meu" objeto de pesquisa.
4 comentários:
Hi Guys,
eu estava pensando se a gente (todo mundo) poderia fazer aguma coisa sobre o conceito/termo/tema de incomensurabilidade. Acredito que é um conceito importante e muito frequente nos nossos trabalhos, especialmente quando se faz alguma relação da visão médica com à dos outsiders(pacientes) e penso que podemos talvez formular alguma definição interessante, considerando particularmente as diferenças dos entendimentos do termo para Kuhn, Feyerabend e Hacking. Isto foi colocado no último seminário de terça e esta idéia esta "haunting me", assim como todas as outras, é claro!
Espero as opiniões sobre o assunto.
Bjs, Vanessa.
Oi gente, hoje eu gostaria de assinalar duas coisas em relação às discussões que tivemos na orientação do kenneth da segunda-feira.
Primeiro a explanação muito interessante e rica que a Carla fez da metodologia que ela utilizou para realizar a sua pesquisa de doutorado. Ela comentou que optou pela observação participante, onde descreve cinco etapas (anotadas por mim) de entrada no campo que sintetizam o seu enquadramento em uma categoria semelhante ao dos médicos em atendimento e em outros momentos os múltiplos possíveis posicionamentos ocupados por ela, ora pesquisadora, ora psicóloga, ora ocupando um lugar de pouco sentido. Um comentário do Kenneth, foi que esta atribuição de posicionamento da Carla por parte dos médicos já é em si, uma boa forma de entender o estilo de pensamento (Fleck, 1979) destes atores no contexto e nas relações estabelecidas com a Carla.
Por fim a Carla fez um upgrade de psicóloga para:
Médica da psicologia especialista em patologias funcionais.
O segundo comentário interessantíssimo da segunda foi do Cesar, que estava dando uma prévia da apresentação que fará napróxima segunda. Ele encontrou em sua pesquisa de campo uma dicotomia entre saber prático e saber teórico entre os médicos estudados. A importância da discussão enfocou a possível incomensurabilidade entre estes dois saberes na prática médica. Onde o saber teórico é vistop como legítimo do discurso enquanto o saber prático, embora seja observado como de fato em acontecimento, não é refletido em conjunto com o saber teórico e visto como uma saber menor ou um não saber. Ainda se colocou como importante a necessidade de se construir instrumentos e estratágias para legitimar, sistematizar, construir instrumentos de análise e competências interpretativas(reflexividades)para este saber prático, no sentido de se tornar um saber visto como coletivo e de possibilidade de ensino.
Kenneth enfatizou a questão da incomensurabilidade do que o Cesar esteve observando, do trabalho destes médicos, que coloca em paralelo saber teórico de saber prático.
Gostaria, e ainda de uma forma muito tímida, seguir a discussão sobre o conceito de incomensurabilidade como foi proposto por Vanessa. Há diferenças de entendimento entre autores e até mesmo de como um autor entende o que o outro entende desse conceito. Isso, deixa a mim, particularmente, menos constrangida quando tenho as minhas dúvidas e as minhas grandes lacunas de conhecimento. Assim, segundo Hacking, num entendimento, parece, equivocado, a incomensurabilidade, pela ótica de Kuhn estaria mais fortemente ligada à questão de tradução do que de interpretação.Para Hacking, a incomensurabilidade, além de estar mais relacionada com a questão da interpretação, teria um sentido, também, e, mais materialista, tendo, portanto, relação com os instrumentos e suas medidas, e, não somente com a mudança de significados e outras noções semânticas. Tenho adorado conhecer as convergências e divergências de pensamento desses autores.
Verdade, incomensurabilidade, revolução científica, relativismo: questões instigantes
Hacking (1992) discute, de forma interessante, o conceito de incomensurabilidade relacionado-o com o de revolução científica, quando analisa a questão da tendência de estabilidade das ciências laboratoriais. Para esse autor, diversas teorias conviveriam ao mesmo tempo, sem haver desalojamento de uma teoria antiga, que permaneceria verdadeira a partir dos dados disponíveis em seus domínios. Ou seja, haveria teorias diferentes que produzem fenômenos diferentes. Assim, embora não haja uma teoria com o cunho de verdade absoluta (olha o medo do relativismo que nos persegue!)isso não significaria uma ausência de verdade. Há teorias diferentes com possibilidades de serem todas verdadeiras, pois produziram a melhor verdade para os fenômenos produzidos ou provocados. Mas essa discussão continua ...
Vamos continuar na discussão! Ainda tenho muitas dúvidas e lacunas. No próximo comentário colocarei essas questões de uma forma mais prática, relacionando-as com o "meu" objeto de pesquisa.
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